Psicologia das Massas e a Fúria das Torcidas
01/02/2025, Thompson PedrosaO Instinto Coletivo e a Violência nos Estádios
Hoje, vou desabafar escrevendo sobre um tema intrigante e muito preocupante: Psicologia das Massas e a Fúria das Torcidas. A psicologia das massas é um campo de estudo que busca compreender como os indivíduos se comportam quando estão inseridos em um grupo.
Um dos primeiros estudiosos desse fenômeno foi Gustave Le Bon, autor do clássico A Psicologia das Massas (1895). Ele nos ensina que, ao se fundir em uma multidão, o indivíduo perde parte de sua identidade pessoal e se deixa guiar pelo inconsciente coletivo, tornando-se mais impulsivo, emocional e, muitas vezes, violento.
Sigmund Freud, em Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921), amplia essa visão, mostrando que os grupos tendem a agir sob forte influência de um líder ou de uma ideologia comum, muitas vezes suprimindo o pensamento crítico individual. Assim, a razão cede espaço à paixão, e o senso moral pode ser distorcido.
E onde podemos ver isso com clareza? Nos estádios de futebol! O esporte, que deveria ser um espaço de lazer e celebração, tornou-se palco de violência irracional entre torcidas organizadas. Em vez de torcer por seu time, muitos vão aos jogos motivados pelo desejo de lutar, ferir e, em casos extremos, matar.
A Raiz da Violência
Essa fúria das torcidas tem raízes profundas. Podemos apontar três fatores principais:
Despersonalização: dentro da multidão, o indivíduo se sente anônimo, perdendo a responsabilidade individual pelos seus atos.
Emoção Coletiva: a euforia do grupo gera um estado de excitação que leva a decisões impulsivas e agressivas.
Identidade Social: o sentimento de pertencimento ao grupo cria uma lealdade extrema, fazendo com que qualquer provocação externa seja vista como uma ameaça a ser combatida.
E o mais preocupante: essas brigas não ocorrem apenas por rivalidade esportiva. Muitos desses encontros violentos são marcados previamente, longe dos estádios, como verdadeiras batalhas campais, onde a intenção não é apenas ferir, mas matar ou morrer.
A Evolução e a Atualidade
Se antes as torcidas organizadas eram grupos de apoio e festa, hoje muitas delas tornaram-se gangues com estruturas hierárquicas, financiamento próprio e até conexão com o crime organizado. A evolução da violência no futebol reflete uma sociedade cada vez mais polarizada e hostil.
Existe Solução?
Diante desse cenário, o que podemos fazer?
Aumento da fiscalização: uso de tecnologia para identificar e punir agressores.
Educação e conscientização:
Programas que ensinam o respeito e a cultura da paz dentro dos estádios.
Punições severas: penas mais duras para os crimes cometidos dentro e fora das arenas esportivas.
Desmantelamento de grupos violentos: investigações rigorosas para coibir a formação de facções criminosas disfarçadas de torcidas.
Para concluir, lembro as palavras de Elias Canetti, em Massa e Poder: "O medo da massa se transforma em força da massa". Se não enfrentarmos esse problema agora, a violência seguirá se espalhando, enraizando-se ainda mais em nossa cultura esportiva.
A mudança começa com cada um de nós. Que possamos torcer, vibrar e celebrar o esporte sem transformar os estádios em campos de guerra. Enfim torço para que os governos procurem ouvir, sociólogos, psicólogos e especialistas em violência pública para criar projetos de comportamentos e leis para acabar com a força da massa, ou no mínimo evitar que ela cresça. Podemos ajudar fazendo o nosso dever de casa junto aos nossos filhos e conversando com amigos.
